Pedro Pastoriz passeia por sonoridades cosmopolitas no novo disco “Projeções”

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foto: Jonas Tucci

Projeção: ato ou efeito de arremessar; arremesso, lançamento.
Cosmopolita: oriundo ou próprio dos grandes centros urbanos, das grandes cidades.

Em “Projeções”, Pedro Pastoriz encontra a cidade. Transita por lugares inesperados, faz crônicas sobre o concreto, a urbanicidade, a beleza dos quadrados e dos planos diretores, fala sobre as múltiplas possibilidades de um grande centro urbano. O primeiro single do disco, “Projeção”, já ganhou registro em vídeo durante as gravações no Estúdio Canoa. Agora, com a chegada do álbum “Projeções”, que conta com Tim Bernardes (O Terno) na bateria, André Vac (Charlie e os Marretas) na guitarra e Arthur Decloedt (Música de Selvagem) no baixo.

“A primeira música que compus desse disco foi ‘Projeção’, foi por isso também que a escolhi como primeiro single, ponto de partida dessa história”, revela Pedro. Depois do repertório se desenhar melhor, o músico compreendeu esse material como uma série de projeções de assuntos, personagens e dilemas pessoais. Tudo ali compilado em um disco, mas pulsando a ponto de invadir as ruas da metrópole. “Não quis ficar muito no comando, deixei tudo vir sem ditar o ritmo ou procurar grandes mensagens ou significados. É a projeção da psicologia, como algo de dentro se projetando em algo externo”, complementa.

“Projeções” é um disco de música popular, com influências que vão do Caetano dos anos 80 até o David Byrne dos Talking Heads, passando pelos filmes do Yorgos Lathimos. “Restaurante Lótus” abre o disco, transformando fatos do cotidiano em reflexões urbanas: “No centro de São Paulo há esperança, pra quem não vive na agenda do medo e da desconfiança”, diz a letra. “É uma música sobre a dificuldade de encontros no centro de um grande espaço urbano e desse lugar estrangeiro que junta todo tipo de imigrantes, de trabalhadores do bairro. Foi uma forma de demonstrar carinho por esse lugar, o Restaurante Lótus”, relembra Pedro.

“Quadrados, padrões, etc.” foi feita quando Pedro subiu no alto do terraço Itália e contemplou a cidade. “Queria exaltar a beleza dos quadrados e desses padrões que ficam muito claros pra quem vê a cidade de cima. O quadrado perfeito é uma forma ausente na natureza e é sobre o que as cidades são feitas. Ainda assim, fala de uma cidade que não funciona muito bem, com grandes monumentos de concreto e falta de sombras ou bancos pra sentar”. “Revelações” foi feita a partir de um poema russo de Osip Mandelstam, que personifica o século como um corpo. Já “Assovio” foi composta após a leitura de “Let Us Compare Mythologies”, primeiro livro do Leonard Cohen.

Sobre Pedro Pastoriz

Pedro é integrante da banda Mustache e os Apaches, rodou pela cidade com a primeira formação de seu trabalho solo (Tim Bernardes, Arthur Decloedt e Felipe Faraco), partiu para o Tennessee para gravar duas músicas direto em vinil na cabine da Third Man Records (direct cut), voltou para o Brasil, gravou um álbum inteiro dessa mesma forma com Arthur Joly, circulou por São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e foi até Berlim com seu show solo. Agora está trabalhando no lançamento do seu mais recente álbum, “Projeções”.